Uma prática verdadeiramente sustentável dentro do nosso organismo agrícola. A natureza em 1° lugar.

Uma prática verdadeiramente sustentável dentro do nosso organismo agrícola. A natureza em 1° lugar.

As Aves

A Reserva Particular do Patrimônio Natural da Fazenda Tamanduá é uma valiosa contribuição à conservação da biodiversidade da Caatinga, abrigando e protegendo expressiva variedade de espécies, que inclui endemismos e ameaçadas de extinção. Tal fato categorizou a Fazenda Tamanduá e sua RPPN como área importante para aves, resultado do Workshop de IBA’s (Important Birds Areas), realizado em São Paulo em 2004 (Lyra-Neves - Obs. pess.).

Esta riqueza, conjugada à beleza cênica da região, representa um potencial importante para atividades econômicas na linha de ecoturismo, como por exemplo, a observação de aves silvestres em seu habitat natural, o que, além de gerar recurso para a região, é instrumento de educação ambiental.

Ainda, existe disposição dos seus proprietários em contribuir com os órgãos ambientais, apoiando projetos de recuperação de aves oriundas do tráfico, através da soltura monitorada destes exemplares, previamente selecionados, sendo mais uma ação efetiva na direção dos objetivos conservacionistas.

Na Fazenda Tamanduá, durante o inventário, foram registradas 197 espécies de aves distribuídas em 51 famílias, das quais 21 são consideradas endêmicas do Brasil, sendo elas: o Aracuã-de-barriga-branca (Ortalis araucuan), a Casaca-de-couro-da-lama (Furnarius figulus), o João-chique-chique (Synallaxis hellmayri), o João-de-cabeça-cinza (Cranioleuca semicinerea), a Casaca-de-couro (Pseudoseisura cristata), o Caneleiro-enxofre (Casiornis fuscus), o Cancão (Cyanocorax cyanopogon), o Garrinchão-de-bicogrande (Cantorchilus longirostris), o Carretão (Compsothraupis loricata), o Rabo-branco-de-cauda-larga (Anopetia gounellei), o Bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus), o Rapazinhodos-velhos (Nystalus maculatus), o Periquito-dacaatinga , o (Eupsittula cactorum), o Bacurauzinhoda-caatinga (Hydropsalis hirundinacea), o Pica-pau-anão-pintado (Picumnus pygmaeus), o Picapau-anão-de-Pernambuco (Picumnus fulvescens), a Choca-barrada-do-nordeste (Thamnophilus capistratus), o Golinha (Sporophila albogularis), o Galo-da-campina (Paroaria dominicana), o Corrupião (Icterus jamacaii) e o Asa-de-telha-pálido (Agelaioides fringillarius).

Dentre as espécies descritas acima, algumas destacam-se por estarem listadas como endêmicas da Caatinga, a exemplo o João-chique-chique (Synallaxis hellmayri) , o Rabo-branco-de-caudalarga (Anopetia gounellei), o Periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum), o Pica-pau-anão-de-Pernambuco (Picumnus fulvescens). Três espécies de aves migratórias oriundas dos Estados Unidos e Canadá foram registradas, são elas: o Maçarico-pintado (Actitis macularius), o Maçarico-solitário (Tringa solitária) e o Falcão-peregrino (Falco peregrinus).

Fauna Ilustrada

Quanto à preservação da fauna, a nossa primeira medida foi proibir a caça e fiscalizar isso, na medida do possível. Mais difícil que proibir é conscientizar, portanto infelizmente ainda encontramos eventualmente pequenas armadilhas para a captura de aves. Estabelecemos a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do alto sertão paraibano com mais de 350 hectares.

Na tentativa de recuperar parte do estrago já feito, com o apoio e orientação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) efetuamos um trabalho de criação e reintrodução do mocó (Kerodon rupestres), espécie nativa que havia sido caçada até a extinção. Isto permitiu restabelecer um elemento importante da cadeia alimentar dos carnívoros. Curiosos para verificar o resultado de nosso esforço, convidamos então o Instituto Pró-Carnívoros, parceiros do Instituto Chico Mendes, para efetuar um levantamento destes animais. Este simples fato transformou a Fazenda num refúgio, num santuário, onde se reproduzem mamíferos até pouco tempo considerados quase extintos, como os gatos vermelho e o maracajá, as raposinhas e os mãos-peladas.

Graças aos estudos de base, hoje sabe-se que a Caatinga apresenta uma riqueza considerável de espécies de vertebrados terrestres, a qual é próxima ao que já se conhece para o Cerrado, sendo algumas delas endêmicas (exclusivas do bioma). Entre elas, muitas foram registradas pela primeira vez para a Caatinga e outras até mesmo eram desconhecidas da ciência, incluindo espécies de anuros, répteis, aves e mamíferos. Tal conhecimento do bioma serve para duas finalidades básicas: como ciência de base para futuros estudos e pesquisas aplicadas e como fazer parte do processo de educação e conscientização ambiental nas comunidades.

Anfíbios:

Na Fazenda Tamanduá, foram registradas até então 23 espécies, o que representa pouco menos de 50% da biodiversidade de anuros conhecida para áreas de Caatinga. Essa riqueza é ligeiramente superior ao que foi encontrado em outras amostragens realizadas em áreas similares e pode estar relacionada com o estado de conservação ou com a heterogeneidade de habitats na área amostrada. Haja vista as intensas condições de intemperismo e a dificuldade do desenvolvimento de pesquisas prolongadas em áreas de Caatinga, trabalhos que investiguem aspectos ecológicos da anurofauna nesses ambientes não são comuns, o que ressalta a importância dos resultados aqui apresentados.

Repteis:

Durante o estudo na Fazenda Tamanduá foram registradas 18 serpentes, 14 lagartos, 04 testudines e 02 anfisbenídeos, totalizando 38 espécies, que obtiveram uma representatividade de aproximadamente 22% da fauna de répteis da Caatinga. Essa boa representatividade ocorre devido à Fazenda Tamanduá possuir áreas conservadas, incluindo uma área de Proteção integral – Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), além de características físicas heterogêneas, o que gera uma grande variedade de habitats abrigando uma grande diversidade de espécies. Este trabalho destaca a importância de estudos em pequenos fragmentos do bioma, colaborando com o conhecimento da distribuição das espécies da Caatinga.

Mamíferos:

Um total de 19 espécies foi identificado – cerca de 25% da diversidade de mamíferos terrestres da Caatinga – incluindo as espécies endêmicas K. rupestris e W. pyrrhorhinos. Algumas dessas espécies, principalmente de roedores e marsupiais, estão restritas a áreas florestadas, como a caatinga florestada na encosta da Serra Tamanduá e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), presente na área da Fazenda Tamanduá. Essa reserva tem se mostrado o principal habitat do Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) e de uma espécie rara de marsupial (Cryptonanus agricolai). O conhecimento dos mamíferos na área da Fazenda Tamanduá reforça a importância da proteção dos habitats no local, para conservação desses animais e estudos futuros.

Morcegos:

Das espécies brasileiras, 77 foram registradas no bioma da Caatinga e, destas, registramos 27 na Fazenda Tamanduá, o que corresponde a aproximadamente 37% das espécies de morcegos registradas para o bioma Caatinga, destacando sua importância ecológica, dada a alta concentração de espécies, demonstrando uma grande representatividade da quiropterofauna deste bioma.

Guia de Plantas

Foram registradas 71 espécies de plantas herbáceas na Fazenda Tamanduá. A vegetação predominante é de caatinga arbustiva-arbórea densa, em bom estado de conservação. Sendo composta principalmente por espécies caducifólias e espinhosas, com ocorrência de cactáceas e herbáceas anuais que se desenvolvem no período chuvoso. As herbáceas são plantas de caule não lenhoso, sem crescimento secundário, que podem ser anuais ou perenes. Possuem tamanhos variados, desde poucos centímetros até cerca de 2 metros de altura. Podem ser eretas, prostradas, decumbentes ou trepadeiras; terrestres ou aquáticas.

Podem atuar como um grupo facilitador de processos ecológicos necessários à manutenção da biodiversidade local. As ervas ajudam a manter a umidade do solo, retêm sementes de outras espécies através de suas raízes, que em geral são superficiais, e promovem sombra para espécies que não conseguem germinar sob luz direta do sol, podendo ter elevada diversidade, em regiões semiáridas. Muitas têm usos econômicos diversos e, como um grupo, constituem a maior parte das pastagens nativas.